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30 de jun de 2006

O.M. AÏVANHOV – 30 de junho de 2006



DO SITE AUTRES DIMENSIONS.

Áudio da Mensagem em Português

Link para download: clique aqui


(vocês ouvirão piados insistentes de um beija-flor que ficou grande parte da gravação na janela, e, depois, um bem-te-vi, quase ao final)

(PERDÃO - CULPA - ABUNDÂNCIA - RELIGIÃO)

Bem, caros amigos, estou extremamente contente por revê-los, isso me dá extremo prazer: ver as pessoas que estão aí esta noite para tentar dialogar, trocar juntos, para ver quais são suas preocupações do momento.
Nós vamos poder, eu espero, aportar-lhes esclarecimentos sobre o caminho do planeta, mas, também, sobre o caminho que lhes é próprio.

Então, se querem, começamos, de imediato, a escutar o que vocês têm a perguntar-me, o que têm como interrogação.

Questão: Como administrar a cólera?

Caro amigo, a coisa que eu posso propor-lhe é dirigir a cólera, por exemplo, em um lugar no jardim, ou seja, quando você sente essa cólera que sobe, quando sente esse fogo que chega para você, diretamente, não se dirigir a um ser humano ou a um animal, mas ir encontrar, em algum lugar, um vegetal, na natureza, não muito longe de você.
Se isso não se produz em você, será preciso, por exemplo, que você encontre um lugar na natureza para poder evacuar essa cólera.

Efetivamente, o elemento o mais importante é que essa cólera, é preciso exteriorizá-la, de uma vez por todas, não constrangê-la, mas, sobretudo, não exprimi-la através dos seres que não a merecem, essa cólera.

Em contrapartida, você pode confiar sua cólera, por exemplo, aos vegetais, às árvores que serão capazes de recolhê-la, em especial, o carvalho.
Basta encontrar um carvalho, observe, não há, talvez, carvalho em seu jardim, entretanto, você pode imaginar que você fala com um carvalho.
A partir do momento em que você encontrou um e confia-lhe sua cólera, você poderá, efetivamente, repetir o processo, mesmo na imaginação, visualmente, sem realidade da presença do carvalho.
O carvalho é uma árvore extremamente forte, que é capaz de receber sua cólera sem sofrer com ela.

Progressivamente e à medida que você exprimir essa cólera, ela vai eliminar-se, não é questão de controlar, de dominar para impedir de manifestar-se, como você o faz, até o presente.
Ela tem o direito, eu diria, de sair, de uma vez por todas, mas não sair contra circunstâncias ou seres humanos, mas é preciso confiar essa cólera a alguém que vai representar capacidades de transmissão e de transmutação dessa cólera e que vai ajudá-lo, no sentido próprio e no figurado, realmente, a superar esse elemento cólera.

Agora, não se esqueça de que você deve, também, através dessa cólera que se manifesta em seu presente, conseguir, mesmo se isso for, por vezes, difícil, perdoar àqueles que sempre tentaram impedi-lo de exprimir o que você tinha a exprimir.
Isso é extremamente importante a compreender.

Respondi à sua questão, eu creio.

Questão: como fazer para perdoar?

O melhor modo de tentar perdoar em relação ao que aconteceu na vida, ao que os feriu não é trabalhar no perdão, porque o perdão é algo que acontece naturalmente, a partir do momento em que a personalidade tende a apagar-se diante da vontade da alma, ou seja, diante do amor que você é, diante da Divindade que você é.

É extremamente importante, para perdoar, chegar a um nível de consciência diferente daquele que é comum.
A partir do momento em que você quer trabalhar no perdão, você continua no nível que gerou essa noção de sofrimento que tem necessidade de ser perdoado ou pedir perdão.
Isso funciona nos dois sentidos.

Não se esqueça de que a resolução de um problema ligado ao não perdão encontra sua problemática nos nós extremamente profundos ligados à vivência afetiva relacional, geralmente, com os pais, obviamente.

Mas o perdão que se situa onde ocorreu o sofrimento não tem qualquer sentido, porque não há transmutação desse sofrimento.
Apenas através da descoberta de sua Divindade interior, através da descoberta de seu potencial espiritual autêntico, é que vai manifestar-se o perdão, como uma consequência, eu diria, direta, da amplificação da consciência e da abertura do casulo de Luz e do inconsciente.
Portanto, trabalhar na noção de perdão não quer, a priori, dizer grande coisa.

Efetivamente, é um conceito psicológico que foi amplamente desenvolvido e, quando se diz «é preciso perdoar», «é preciso perdoar papai», «é preciso perdoar mamãe», «é preciso perdoar-se, a si mesmo», é fácil dizer, entretanto, compreendam, efetivamente, que são questões de nível energético e que a noção de perdão não pode exprimir-se ao nível que gerou o sofrimento.

O perdão é a consequência normal da abertura de consciência.
«Busquem o reino dos céus e o resto ser-lhes-á dado em acréscimo», esse é o ensinamento o mais importante de Cristo, quando Ele estava sobre a Terra.
Ele é tanto mais válido hoje, obviamente, porque, se vocês estão ao nível do perdão, continuam no nível que gerou o sofrimento.
Ora, o sofrimento vem apenas da confrontação de duas personalidades, de dois egos, pode-se dizer.
A partir do momento em que um dos dois seres chega à dimensão que é chamada o amor incondicional, à dimensão da Divindade interior, não pode mais ali haver ferida.

O perdão é um ato permanente do amor.
O amor é perdão, o amor é transcendência.
Então, obviamente, pode-se analisar intelectualmente, mentalmente, emocionalmente o que quer dizer perdoar, mas, a partir do momento em que a consciência do ser humano coloca-se em uma problemática que ocorreu no passado e que, hoje, vocês exprimem um ressentimento que necessita de um trabalho de perdão, vocês vão reativar a energia do passado, vão reativar o que apenas demanda apagar-se e que, no entanto, perturba-os em seu presente.

Portanto, a solução não está, necessariamente, no querer, a todo custo, perdoar com o intelecto, com o coração, eventualmente, mas que, frequentemente, é compreendido, não como o coração, mas como uma emoção, um sentimento (ora, o coração não é uma emoção, não é um sentimento, nós já tivemos a ocasião de falar disso, isso se situa ao nível da terceira dimensão).

O mais importante é encontrar sua Divindade Interior, o perdão virá sozinho, a partir do momento em que vocês tocarem com a alma seu nível divino.
Naquele momento, o perdão far-se-á automaticamente porque, ao nível da alma, não pode haver não perdão.
O perdão é inscrito na finalidade da alma, obviamente, mas, absolutamente, não na finalidade da personalidade.
É isso que é extremamente importante a compreender.

Questão: como não acumular além das próprias necessidades, mas, simplesmente, tomar o que é necessário?

Meu caro amigo, você raciocina com algo que é muito louvável, que se chama, como você diz, «procurar o exato», «tomar apenas o que é necessário para a vida».
Fala-se muito, hoje – efetivamente, é extremamente louvável – do que se chama tudo o que é renovável, do que se chama o justo partilhar das coisas.
Mas, se adota esse princípio, você vai, necessariamente, entrar em um processo de autolimitação.

Por que viver a limitação?
O Pai é abundância, o Pai é abundância total, o Pai não é limitação ao nível de sua Terra, ao nível do dinheiro, ao nível de tudo.
São níveis de separatismo daqueles que dirigem, realmente, hoje, o planeta, que empreenderam tomar o controle em todos os níveis energéticos, ao nível dos recursos nutricionais, ao nível dos recursos alimentares, ao nível dos recursos dos medicamentos.

Mas a própria vida é abundância, portanto, se você parte desse princípio, vai limitar-se, a si mesmo, talvez, o que não é bom em relação à sua alma.

Efetivamente, não é necessário considerar o princípio de abundância como um desejo de posse.
A abundância deve ser construída, antes de tudo, como um nível de livre troca, ou seja, que quanto mais você receber, mais você dará.
Em contrapartida, se mais você recebe, mais você guarda (e, aí, eu não falo, unicamente, do dinheiro), aí, você entra na posse ligada ao ego, mas, também, à posse no sentido diabólico da alma.

Em contrapartida, se a abundância permite-lhe distribuir a abundância, então, naquele momento, você crescerá em sua vida espiritual, mas, também, no florescimento de sua vida material, e isso é extremamente importante.

Por que querer limitar-se a algo de minúsculo, a algo em que se toma apenas o que se tem necessidade?
Não é questão, contudo, de desperdiçar.
É uma atitude de espírito que deve fazer-lhe bem.
Porque a vida é abundância e porque ela provê, em abundância, a todas as suas necessidades, efetivamente, e o excedente pode ser distribuído.

Mas não é questão de limitar, porque é, também, eu diria, uma visão ligada à personalidade, mas invertida, ou seja, que se quer negar o ego que recolhe tudo para ele, dizendo «não, não, eu não estou no ego, porque eu tomo apenas o mínimo».
Mas compreenda, efetivamente, que é, também, uma manifestação do ego que reflete assim, porque a alma é abundância, definitivamente, ela é Luz.

A Luz pode apenas espalhar-se; a Luz pode apenas propagar-se, de próximo em próximo, e vocês devem conceber sua vida, nessa dimensão, assim, porque a vida é, realmente, abundância, na condição, obviamente, de que vocês redistribuam essa abundância que vocês recebem, tanto ao nível da irradiação, tanto ao nível da abundância que lhes é oferecida pelo divino, como essa abundância que se situa ao nível da qualidade, da quantidade de sorriso que vocês têm em vocês, igualmente, pela própria quantidade de dinheiro que lhes é dada, porque o dinheiro é uma energia que deve circular.

O importante é não bloquear as trocas, mas a troca deve, verdadeiramente, realizar-se.
Progressivamente, vocês devem crescer nessa noção de florescimento e de abundância.
A abundância faz parte da mestria.
Progressivamente e à medida que entrarem no soltar, não querer tudo puxar para si, vocês terão que administrar a abundância, mas não a escassez, obviamente.
É, eu penso, um pouco irracional querer pôr-se na exata necessidade, ou seja, não tomar mais do que se tem necessidade.
Vocês devem tomar a totalidade que lhes é oferecida, mas redistribuí-la, mas não bloquear o movimento, unicamente, ao nível da satisfação, mesmo mínima, de suas necessidades porque, aí, vocês entram, também, em um processo que é ligado a um ego, eu diria, um pouco invertido.

Não é pejorativo o que eu digo, mas é preciso, efetivamente, compreender que a vida e a Luz são abundância, na terceira dimensão, como em outras dimensões, e é preciso aprender a gerar a abundância e não a escassez.
A escassez é um conceito que foi, livremente, introduzido por aqueles que querem apropriar-se de todas as riquezas e não querem redistribuí-las.
O problema vem daí.

Agora, se vocês aceitam permanecer na escassez ou na exata necessidade, naquele momento, vocês fazem o jogo daqueles que se enriquecem.
Os seres espirituais, os seres que procuram a Luz podem, eles também, enriquecer-se, em todos os sentidos do termo, enriquecer-se não para guardar, mas para redistribuir.
Isso é extremamente importante.

Questão: poderia falar-nos do sentimento de culpa?

Perfeitamente.
A culpa é algo que é sentido, sente-se culpado por ter agido mal, sente-se culpado por fazer o mal, sente-se responsável por tudo o que acontece.
No entanto, é algo que foi inscrito, gerado, eu diria, em modelos educativos introduzidos pelos pais, pelos educadores, pela escola, sobretudo, pelos pais, mas, também, por vezes, os irmãos e irmãs que havia em sua vida.

A culpa faz parte inerente de todo ser humano.
Compreendam, efetivamente, que tudo o que foi construído – em tempos imemoriais, eu diria, isso remonta a cinquenta mil anos, mas não antes – desde a gênese do que se chama o corpo astral, o corpo de desejo, o corpo da personalidade é baseado na dicotomia entre o bem e o mal.

Ora, a culpa inscreve-se onde?
Ela se inscreve, obviamente, na noção de mal, algo que é mal.
O mal e o bem fazem, profunda e definitivamente, parte de sua manifestação na terceira dimensão, porque é o que permite escolher, é o que permite julgar sem parar entre o que é bom e o que não é bom.

A culpa faz parte do que não é bom.
É preciso, efetivamente, compreender que é algo que, como eu dizia, é inscrito em todo ser humano, porque há a encarnação, e o objetivo da vida é desenvolver o bem.

O bem é o quê?
O bem é o que se dizia na questão anterior, é a abundância, é o amor, é a Luz, é a expansão, é o que vai contra fatores de limitação, é o que vai permitir encontrar o florescimento interior, que vai reportar-se à alma.

Agora, não é questão de analisar, tampouco, a culpa.
O importante é, verdadeiramente, confiar seus problemas, que o incomodam em sua evolução, mesmo se isso lhe pareça bizarro, não a um psicanalista, não a um psicoterapeuta, mas, verdadeiramente, confiá-los a uma árvore, como eu dizia há pouco.
Você constatará, muito rapidamente, que isso vai ajudá-lo e, além disso, acessoriamente, você não terá necessidade de pagar à árvore, isso lhe custará menos caro, de qualquer modo.

Questão: por que me sinto, por vezes, desesperada, como desligada de tudo?

Cara amiga, em seus casulos de Luz observa-se que você é alguém que, frequentemente, viveu nos apegos aos ideais, apego aos filhos, apego ao afetivo, frequentemente, com laços extremamente fortes, que você procurou construir, você mesma, por sua personalidade.

Ora, o trabalho espiritual que se faz há algum tempo provoca, justamente, uma noção inversa daquela que construía sua vida até o presente.
Efetivamente, a passagem à quinta dimensão acompanha-se de algo que é muito novo e, sobretudo, para aqueles que não têm experimentado essa noção de desapego ligado à própria evolução espiritual.

Mas a quinta dimensão necessita de um desapego, ou seja, não se pode evoluir mantendo estruturas obsoletas e, sobretudo, não se pode evoluir tentando criar laços extremamente potentes, extremamente fortes com o que faz nossa vida.
O que não quer dizer que se deva estar desapegado, cortado de todos os laços para não estar com ninguém, eu não disse isso.
Eu disse, simplesmente, que as relações entre os seres, com as energias, com o ambiente devem construir-se através de algo que está nesse desapego.

O desligamento, tal como você o sente é, para você, algo que é privado da visceralidade, eu diria, da emoção e do afetivo.
Mas é uma transformação extremamente importante, está-se na fase, eu diria, final, dessa transformação planetária.
É extremamente importante que todas as relações sejam coloridas por esse desapego e que, mesmo se isso lhe pareça doloroso, não há risco de perda do que quer que seja.
Há, ao contrário, um florescimento porque, a partir do momento em que se tornam livres as circunstâncias de sua vida, a partir do momento em que se tornam livres as relações que se estabeleceram com os seres, as coisas acontecem de maneira muito mais fluida e entra-se no mecanismo que corresponde à emergência da quinta dimensão, que eu chamei a sincronia, a fluidez da unidade, que é algo de extremamente importante.

Então, por vezes, quando não se tem o hábito do desapego, tem-se a impressão, quando se vive isso, que se sente em uma espécie de vazio, porque não há a emoção que é ligada, porque não há a impressão de que, para gerar o afetivo ou para gerar o amor, há necessidade de haver oposição.
Isso é algo de novo para você, mas, creia-me, na quinta dimensão e nas dimensões que são situadas acima dela, é extremamente importante abordar esses novos mundos e esses novos modos de funcionamento, através desse desapego que não é o vazio, mas que é contrário, eu diria, à plenitude de uma emoção equilibrada que tem por nome ausência de emoção, ou seja, ao real.

É preciso redefinir, em você, o que você chama amor.
O amor não é apego, o amor é liberação, liberdade total do outro, mas, sobretudo, de si.
Todas as suas relações afetivas que existem neste planeta, na maioria a mais absoluta dos casos, é ligada ao que se chama a relação deformada de chantagem, entre aspas, ou de laço, ou seja, eu ajo assim porque você é assim, mas, se eu quero isso, eu ajo assim.
Perde-se, naquele momento, a espontaneidade.
É importante restabelecer o que você chama esse desligamento, é algo, ao contrário, que é preciso tentar cultivar.
Você verá que, quanto mais cultivar esse estado, mais você entrará na serenidade.
Depois, você entrará na calma, afastará de si a tempestade.

Isso é válido em todas as relações que você estabelece e que são seu mundo no qual você evolui.
Isso é fundamental a compreender, cara amiga.

Questão: como se pode diferenciar o desapego de um desinteresse?

A coisa é totalmente diferente.
O desapego provoca uma plenitude interior, sente-se, realmente, pleno, sente-se, realmente, habitado.

Habitado pelo quê?
Primeiramente, pela Divindade, primeiramente, pelo sentimento – que é um sentimento e não uma emoção – de algo que é completamente autêntico.
É o que se chama a fluidez da unidade, é o que se chama um estado de alinhamento total com a própria alma.

O desinteresse, em contrapartida, provoca uma dessecação, ou seja, o inverso de uma plenitude.
Então, há uma etapa intermediária na qual, efetivamente, o desapego pode ser considerado como um desinteresse, porque isso não corresponde a como se funcionava, isso não corresponde a como se foi educado, isso não corresponde ao que se havia projetado ao nível mental.

Agora, quando se cultiva esse desapego, progressivamente, em relação a algo que é vivido, não se entra no conflito, deixa-se exprimir-se o desapego, vai-se aperceber-se de que se entra em uma unidade, entra-se em um espaço extremamente mágico no qual, naquele momento, é-se pleno.

Pleno de quê?
Pleno de Luz, pleno de Divindade e, assim que se deixa os espaços de separações, os espaços de divisões que fizeram nossa vida até o presente na terceira, então, o despego chega a provocar o que se chama, também, o soltar, ou seja, o abandono, que conduz, sistematicamente, à coisa que lhes é pedida nesta vida, ou seja, a mestria.
Mestria não quer dizer controlar, mestria não quer dizer estar apegado, é exatamente o inverso.

Quanto mais vocês se afastam dos modos de reações habituais que constituíram sua vida, mais vocês entram nessa dimensão divina.
Vocês estão aqui para aprender isso.
É, unicamente, o que lhes é demandado porque, «busquem o reino dos céus e todo o resto ser-lhes-á dado em acréscimo».
Mas, em contrapartida, enquanto vocês quiserem debater-se nas contradições, nos problemas que estão situados nessa dimensão, vocês não terão a energia necessária para encontrar seu próprio ser divino.
Vocês se fecharão em esquemas de apego, em esquemas que anunciam sua liberdade, isso é extremamente importante.

O desinteresse, em contrapartida, é uma aridez.
Isso conduz à depressão e não à plenitude do coração.
Efetivamente, eu confirmo que, no início, as energias novas do desapego podem parecer corresponder ao que se poderia chamar o desinteresse, ou mesmo a depressão, porque não se é habituado a funcionar assim, e é importante a compreender, para entrar na aceitação disso.

Vocês verão que, em um tempo extremamente curto, vocês sentirão essa plenitude, a partir do momento em que aceitam esse desapego.
É muito importante porque são, verdadeiramente, as energias espirituais que empurram a isso, nesse momento.

Vocês não imaginam o número de seres, o número de energias, o número de consciências que, nesse momento, empurram, individualmente, cada ser, mas, também, o conjunto de seres que povoa o planeta, para chegar, antes do momento decisivo, a esse desapego.
Porque o desapego é a plenitude, porque o desapego é a completude, porque no desapego vocês encontram sua Divindade interior, e é a coisa que lhes é solicitada, nada mais.

Questão: como explicar os males físicos ligados a fenômenos de desconexões?

Primeiro, seria preciso explicar o que você chama «desconexão», caro amigo.
O que eu observo em seus casulos de Luz é que há, efetivamente, uma facilidade extrema para conectar, eu diria, realidades ultrassensíveis, mas há, em você, um medo fundamental e visceral dessa realidade ultrassensível à qual você está conectado, realmente.

Esse sentimento de desconexão é ligado a um trabalho de enfraquecimento, eu diria, que é feito por sua personalidade interior, para fazê-lo crer que essa desconexão conduz ao neant, conduz a males físicos e, portanto, que é preciso, absolutamente, evitar encontrar-se confrontado a esses mundos.
E, no entanto, devido ao seu conhecimento, devido à sua vida e devido ao seu caminho de alma, é o que você escolheu experimentar.

Portanto, de algum modo, você se comporta como uma criança mimada, você recusa algumas coisas que estão aí, que fazem parte de sua vida.
E isso cria, efetivamente, males físicos, isso pode provocar uma falta de sopro extremamente importante, como o sopro cortado.

A origem de seu desconforto vem daí, ou seja, o que você chama desconexão é você que desconecta em relação à realidade lá de cima, para não encontrar-se confrontado ao que você tem medo de ver.

Questão: como fazer para elevar-se, quando se sente a vontade, a necessidade?

Boa questão.
De que tem necessidade, um ser humano, para crescer?
Há a Luz para crescer, a mestria para crescer na abertura espiritual.
Bem, primeiramente, ela tem necessidade, essa alma, de ser alimentada, de ser regada e, a partir do momento em que a alma exprime o desejo de crescer, obviamente, as sincronias, os reencontros e tudo o que faz o ambiente da vida irá ao sentido dessa autêntica sede de crescer.

Agora, como fazer para crescer?
Bem, será que é, realmente, questão de fazer?
É questão, antes, de ser, é extremamente importante.
Ser não quer dizer, necessariamente, fazer, ser não quer dizer, necessariamente, ter.
Ser, isso quer dizer, sobretudo, estar completamente consciente do instante que passa, do instante presente.

Estar presente a si mesmo permite crescer.
No entanto, tudo o que bloqueia o ser humano em seu crescimento são, obviamente, os apegos, é, obviamente, o passado, é tudo o que quer arrastar nosso sistema para apegos ligados ao passado, os modelos condicionantes, os apegos que foram construídos por nossos ancestrais, mas, também, pelos modelos educativos, mas, também, pelos modelos religiosos.

É preciso, efetivamente, compreender, como dizia, por exemplo, Krishnamurti, que vocês são seres ilimitados.
A única diferença entre vocês e eu é que eu sabia, totalmente, e de maneira inabalável, já, em minha encarnação e muito jovem, que eu era um ser de Luz.
Vocês, ainda, não o aceitaram.
Bastaria, no entanto, aceitá-lo, numa pequena porcentagem, para que todas as coisas desenrolassem-se de maneira mágica, na magia do amor.

É preciso, sobretudo, aceitar estar no instante e deixar penetrar em nós a totalidade da Divindade.
É tudo o que é demandado, isso se junta a outras questões que foram postas.

Eu creio que o mais importante para crescer não é saber quem foram há dois mil anos, o importante para crescer não é encontrar uma técnica de meditação, de oração ou técnicas, também, que eu desenvolvi em minha vida e que eram válidas, naquela época, como a paneuritmia, como outras técnicas.
Efetivamente, são ferramentas que são, por vezes, úteis, para esquecer-se da personalidade, mas o objetivo não é tornar-se divino através da técnica, o objetivo é esquecer-se, no espaço de um instante, da personalidade interior militante.

Naquele momento – e, sobretudo, desde algumas dezenas de anos, eu diria, mesmo, há menos de vinte anos – é, hoje, extremamente fácil operar em si, deixar fazer e aperfeiçoar, ou seja, isso é extremamente importante.

O estado de ser, agora, o que isso quer dizer?
Isso quer dizer estar na receptividade total da Divindade.
É preciso, no espaço de um instante, tentar fazer a abstração de todas as referências que se pode ter em si, tentar fazer abstração de tudo o que se aprendeu, tentar fazer abstração de tudo da vida, também, e, simplesmente, ser como uma criança.
Isso, no instante presente, porque a Divindade, sua Divindade pede isso apenas para manifestar-se, e nada mais.
Não há necessidade de rituais complicados, não há necessidade de fazer dieta durante quarenta dias, há, simplesmente, a necessidade de ser si mesmo, para encontrar seu ser divino.
E isso, essa sede de vontade de crescer na Luz, é completamente louvável, mas ela deve deixar o lugar para a necessidade de ser fundamental, ou seja, estar no instante presente.

O instante presente é o único lugar no qual o Pai encontra-se.
O Pai não pode encontrar-se no passado, não pode encontrar-se em um futuro hipotético para o qual vocês correm, ele está no instante.
Se vocês pudessem parar o tempo, um bilionésimo de segundo de tempo terrestre, vocês seriam transformados em Luz, seu corpo não existiria mais, o corpo teria se tornado um corpo imortal, um corpo espiritualizado, totalmente.
Isso é a quinta dimensão, é o que se produzirá no momento em que o tempo parará, mas é outra história.

Questão: por que se escolhe tal ou tal vida?

É uma questão que é, ao mesmo tempo, extremamente vaga, mas, extremamente, precisa.
Por que se escolhe esta vida?
Porque é ela que nos dá a ocasião de crescer.

Se as aparências são, a priori, contrárias, apenas quando a vida foi cumprida e que se olha o que se construiu através dessa vida, é que se apercebe que não podia ser de outro modo.
Mas tranquilize-se, cada ser humano escolhe, livremente, sua vida, e não há ninguém, não há censor que vai dizer-lhe «você vai passar por aí» ou «você vai fazer isso», assim como não há juiz.
Você mesmo julga sua vida e ninguém mais; você é seu próprio juiz, você é seu único juiz.

Há, realmente, algo de essencial a compreender: não há ninguém que seja responsável, no exterior, do que você vive.
Eu fiz, frequentemente, o paralelismo entre o que acontecia no exterior – ou seja, ao nível dos elementos, ao nível dos tremores de terra, ao nível dos furacões, ao nível das modificações dos elementos – e o que acontecia no interior do corpo humano.

Tudo o que se produz vem do interior.
Nada do que acontece pode ser contrário ao que quis a alma, mesmo se, em alguns momentos, isso pareça difícil e, frequentemente, diz-se «por que eu vivi isso?».
Vocês acreditam que, em minha vida, quando fui para a prisão, eu me coloquei essas questões?
Como é que eu, que falava de Luz, pude pôr-me à sombra?
Era a mais bela das lições que eu vivi em minha vida.
Mas creio que eu já lhes disse isso.

É porque é quando se é privado do que se é, que se apercebe de que se é o que se é.
É extremamente importante isso.
Então, agora, se sua vida parece-lhe, por momentos, não em adequação com o que você sente, com o que você crê, diga-se, efetivamente, que tudo isso tem um sentido e que o importante não é compreender o sentido, mas aceitar o sentido, mesmo se você não o veja.
A aceitação é algo de extremamente importante, junta-se, com isso, à noção de abandono e, também, de mestria.

A mestria é a aceitação, o abandono à vontade: «Pai, que sua vontade faça-se, e não a minha» dizia Cristo na cruz.
E cada um vive sua cruz, até o momento em que aceitar entregar-se à vontade do Pai, à vontade divina, para tornar-se, enfim, um ser divino.
É uma mecânica extremamente importante a compreender, isso.

Questão: por que há tanta violência, em especial no domínio de convicções religiosas?

Porque a religião foi, sempre, o elemento que impediu a manifestação da Divindade no ser humano.
É um pouco paradoxal a dizer, a religião, etimologicamente, é o que deve religá-los ao Pai, à sua Divindade interior, mas os seres humanos aperceberam-se de que era, antes de tudo, uma ferramenta de poder.

Então, bom, obviamente, no século e no período em que vocês vivem, o poder e o Pai não é mais a religião, é o dinheiro, vocês sabem, porque outros Deuses tomaram o lugar e esses Deuses consideraram que era o dinheiro o mais importante para escravizar o ser humano.
Mas as religiões tiveram, sempre, por objetivo, impedir o ser de encontrar a Divindade interior.

Talvez, nas épocas passadas – há, ainda, cem ou duzentos anos – os seres não estavam prontos para ouvir esse discurso, mas, hoje, vocês estão, suficientemente, grandes para compreender que as religiões sempre estiveram aí para impedi-los de encontrar o Pai, ou seja, compreender que vocês mesmos eram Deuses.
Não há Divindade exterior, vocês são o ser divino, vocês são a Luz, vocês são a totalidade dos mundos criados.

Aí está o papel da religião, que foi o de amordaçar isso, de fazê-los crer que era obrigado a passar por um intermediário para aceder ao Pai.
De modo algum.
É, também, outra época que termina, felizmente, mas a religião, obviamente, é algo que tem por objetivo fazê-los entrar em um mecanismo que vocês chamam «seita».

Hoje, há vocês, os bons, e os outros, que são maus, necessariamente, qualquer que seja a religião.
Sem isso, não haveria religião.

Não há, mesmo, religião, no sentido universal, como alguns querem falar.
Há, simplesmente, e eu não falo para minha capela, uma fraternidade universal, mas não há religião universal, isso não pode existir.
A religião é vocês, porque religar-se à sua Divindade, manifestar sua Divindade é isso, o mais importante.

Mas todas as religiões vão dizer-lhes que vocês não têm, sobretudo, que manifestar essa Divindade.
Olhem, por exemplo, o caminho daqueles que foram estigmatizados na igreja católica, eles foram fechados, impediram-nos de manifestar a Divindade deles.

Vocês tiveram um esta noite, vocês tiveram a presença do Padre Pio, que é, certamente, com São Francisco de Assis, um dos maiores santos estigmatizados, um dos maiores seres de Luz que a Terra portou.
E, no entanto, Deus sabe que eles foram impedidos de manifestar a Divindade, eles foram impedidos de dizer quem eles eram, obviamente, porque, a partir do momento em que vocês sabem que vocês são Deus, mas, naquele momento, vocês não têm mais qualquer condicionamento, e é extremamente perigoso, isso dá extremo medo na terceira dimensão e, sobretudo, para aqueles que têm o poder.

Não é preciso, sobretudo, que se saiba disso, não é preciso, sobretudo, que isso apareça e, portanto, tudo é feito no mundo para impedi-los – realmente, não, unicamente, energética ou espiritualmente – de salvar a Divindade porque, se vocês encontram o divino que vocês são, naquele momento, podem contaminar o conjunto de habitantes do planeta.
É o que fez Cristo, no tempo dele, Ele semeou a Terra com a energia Luz.


Eu lhes agradeço, eu lhes aporto toda a minha bênção.
Creio que, esta noite, vocês não terão a efusão do coração de Maria, porque já tiveram a efusão de Santo Inácio.
Ele é um pouco mais duro do que MARIA, mas, entretanto, ele mexeu com seu coração.
Portanto, para esta noite, isso basta, eu creio.
Eu lhes digo obrigado, eu lhes aporto todo o meu amor e digo-lhes até, certamente, uma próxima vez.
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22 de jun de 2006

O.M. AÏVANHOV – 22 de junho de 2006



DO SITE AUTRES DIMENSIONS.


Vejo que temos um público extremamente atento, com muitas questões que se preparam em relação ao que temos a trocar.
Temos, também, muitas coisas a dizer, mas, primeiro, vamos começar como fazemos de hábito, ou seja, trocar, tentar responder às interrogações que são as suas.

Então, primeiro, vamos, caros amigos, eu lhes desejo, já, a boa vinda.

Questão: por que é preciso estar bem enraizado para, efetivamente, «decolar»?
Por que é preciso que o eixo superior/inferior desenvolva-se ao mesmo tempo?

Caro amigo, tudo o que toma raiz nesta Terra, tudo o que está vivo nesse mundo tem, sempre, por origem, a Terra, nisso, estamos de acordo.
Não é possível desenvolver uma manifestação harmoniosa da vida neste planeta se não se está enraizado, de algum modo, nesse planeta.
É preciso, efetivamente, compreender que tanto os cristais que crescem na Terra estão enraizados na Terra como os vegetais estão, também, enraizados na Terra, o reino dos mamíferos, o reino de seres vivos os insetos são, também, obrigados a ter um enraizamento na Terra, porque o alimento é tomado, primeiramente, na Terra, antes que o alimento seja ligado ao fogo (no que concerne aos minerais, aos cristais), seja ligado ao Sol (no que concerne aos outros seres vivos).
Não pode haver desenvolvimento harmonioso da vida nesse plano de manifestação enquanto não há raízes tomadas na Terra e raízes tomadas no Céu.

Também, um desenvolvimento harmonioso que tenha em conta as dimensões as mais globalizantes da vida vai, necessariamente, apoiar-se na Terra, antes de lançar-se para o Céu.
Há, também, um papel extremamente importante, que não é nutrir, mas que é, também, a garantia, eu diria, da estabilidade desse desenvolvimento da vida.

Toda a vida que está se desenvolvendo, independentemente de um enraizamento na Terra criaria algo que não é verdadeiro, do mesmo modo que os cristais que se faz nascer, hoje, com meios técnicos com altas temperaturas, mas sem que haja a terra, sem que haja as condições iniciais que existiam quando da criação dos cristais.
Há cristais que podem ter a aparência de cristais, que podem ter a estrutura interna de cristais, mas que, entretanto, não são cristais.

Outro exemplo bem conhecido, hoje, se vocês fazem nascer um vegetal, por exemplo, um tomate, em culturas que se chama fora da terra, vocês terão um fruto que pode parecer muito belo, que pode parecer de bela cor, que pode parecer com os mesmos elementos constitutivos – como o cristal que nasceu fora da terra – entretanto, a radiação do que foi criado de maneira artificial não tem, de modo algum, a mesma vibração do que o que é criado de acordo com vias lógicas e habituais da manifestação e do princípio da encarnação nessa dimensão.
Isso é extremamente importante.

Agora, se se inclina um pouco no que é específico ao ser humano, que é sua capacidade para religar-se à sua Fonte, religar-se à sua Divindade essencial interior, se o ser humano pode encontrar sua Divindade sem enraizar-se, ele vai seguir um processo de iniciação que é, ele também, de algum modo, artificial e falsificado.
A tal ponto que isso é falsificado que o ser humano que acede a um nível de consciência diferente da consciência habitual comum da terceira dimensão e que não enraizou suas estruturas na Terra vai encontrar-se confrontado a uma iniciação que é qualificada de luciferiana, porque ela conduz o ser humano a um grau de realização que não é aquele que é previsto pelo princípio da encarnação, que é a espiritualização da matéria.
O que quer dizer ser capaz de subir o nível de consciência, não unicamente da própria consciência, mas, também, de tudo o que constitui as estruturas físicas, etéreas, astrais, mentais, também, que extraem suas raízes, suas nutrições na Terra, mas, também, nos éteres da Terra.
Isso é extremamente importante a compreender.
Aí está porque não pode haver retidão, autenticidade se não há enraizamento antes da elevação.
Isso é, já, algo que é preciso, efetivamente, compreender.
Não pode haver realidade em uma iniciação, em uma elevação, em um processo de elevação da vida se não há, preliminarmente, tomada de nutrição nas raízes terrestres e, obviamente, nas raízes espirituais, ou seja, no Sol, mas isso não pode ser, unicamente, no Sol, caso contrário, ele vai seguir um processo de desvitalização que vai conduzir ao que se poderia chamar a loucura e a ilusão.

Aí está porque é extremamente importante, no processo de desenvolvimento da consciência, chamado processo iniciático ou de mestria espiritual, que esse desenvolvimento concirna a todos os planos e a todas as estruturas que habitam o ser humano e que fazem o ser humano.

Questão: como concretizar, na vida quotidiana e na vida profissional, o caminho espiritual?

Caro amigo, se você quiser, vamos separar a questão entre o que diferencia o caminho pessoal do caminho profissional em relação ao caminho espiritual.
É preciso, efetivamente, compreender, hoje mais do que nunca, como eu disse e repeti e como repito, ainda esta noite, que o caminho espiritual, hoje, é uma diligência que corresponde ao que se chama a autenticidade, ou seja, estar em harmonia com o ser interior, estar religado à própria Fonte, estar religado ao próprio ser interior que é o ser divino.

Esse caminho, hoje, é extremamente facilitado em relação ao que existia nos séculos precedentes e, eu diria, mesmo, os cinquenta anos precedentes (ou seja, o que estava em relação com as técnicas, com os caminhos ligados ou a religiões, ou a ensinamentos ditos tradicionais ou esotéricos ou espirituais, coisas que eu também pratiquei em minha vida).

Hoje, é-lhes solicitado, mais do que tudo, no que vocês chamam e que nós chamamos «evolução espiritual», «caminho para a mestria espiritual», compreender que esse caminho deve implicar em cada sopro de sua vida pessoal, em sua vida de todos os dias, em sua vida quotidiana.
É importante que a mínima parcela de autenticidade que se revela em função de diferentes técnicas que vocês podem empregar – se querem, senão, isso não tem importância – revele seu ser interior, sua Divindade interior.
Conhecer-se a si mesmo.
E isso não se aprende através de técnicas exteriores, é um caminho todo interior, mas nesse caminho interior há regras extremamente precisas a seguir que vão, eu diria, favorecer a eclosão dessa mestria espiritual.

Eu falei, na última vez, de noção de abandono, de noção de soltar, de noção de mestria, de noção de estar religado à própria Fonte e ao próprio ser Interior.
Eu vou especificar, hoje, que o mais importante na vida de todos os dias é, fundamentalmente, estar em acordo consigo mesmo, ou seja, não trapacear, não mentir a si mesmo e aos outros.
Isso necessita, eu repito, certa forma de autenticidade.

Essa autenticidade caracteriza-se, também, por algo que eu teria tendência a chamar a benevolência, em um primeiro tempo.
Nós havíamos, também, discorrido, parece-me, na última vez, sobre o amor.
É preciso, efetivamente, compreender que eu lhe dizia estar em cada parcela da vida, em cada minuto de sua vida em um estado de amor.

Obviamente, muitos seres humanos vão compreender as próprias emoções de amor através das emoções e dos sentimentos, o que não é o caso.
Então, eu prefiro empregar a palavra benevolência, que consiste em considerar que cada ser que você reencontra é, também, uma parcela do Divino que é você, que as circunstâncias de sua vida a cada minuto e cada sopro que o anima correspondem à total expressão da Divindade e que são as ressonâncias do que você é, você mesmo.

Eu disse, também, frequentemente, que o que acontece no exterior corresponde ao que acontece no Interior.
Se seu interior volta-se para a benevolência, para a mestria, para o abandono, todas as coisas vão desenrolar-se, no exterior, para fazer ressoar o que você tenta estabelecer no interior de si, em sua vida pessoal, em sua vida afetiva, relacional, sentimental, mas, também, no simples fato de ir tomar um banho ou de ir ao toilette ou de ir regar as plantas.
Isso é, também, extremamente importante a assimilar.

Essa benevolência é considerar que tudo o que acontece em sua vida, que tudo o que você faz em sua vida é um ato que participa, eu diria, de sua sacralidade, de sua sacralização, de sua divinização e de sua benevolência interior, mas, sobretudo, dessa famosa autenticidade.

Agora, nos abordamos um setor que é um pouquinho diferente porque, no mundo profissional, as pessoas têm, muito, a impressão de que, quando estão em um caminho espiritual, elas devem estar, necessariamente, em um trabalho que toca, de perto ou de longe, a noção do espiritual.
E creia-me, caro amigo, pode-se, também, fazer passar essa benevolência e esse amor e essa dimensão sagrada vendendo agulhas no mercado, tanto como falando, como eu o faço.

Inúmeros seres humanos vivem isso, através de atos extremamente humildes, extremamente simples.
Não há necessidade, nesse nível, de procurar o extraordinário nas manifestações de seu trabalho profissional.
Obviamente, há situações nas quais vocês vão encontrar-se confrontados e chocados a essa noção de autenticidade interior.
Eu tomarei o exemplo de alguém que venderia ou trabalharia para uma empresa que fabrica armas, mas, aí também, se essa pessoa encontra-se nessa sociedade a vender armas é que, obviamente, as circunstâncias interiores que são as dela colocaram-na, puseram-na nessa situação e há, obviamente, através desse trabalho exterior, a necessidade, também, de fazer um trabalho interior.

A partir do momento em que a consciência entra nessa benevolência, nessa autenticidade, há, efetivamente, certo número de trabalhos que se tornam difíceis a realizar.
Mas é um exemplo extremo, que eu tomei, como a venda de armas.
Poder-se-ia, também, ser um militar e estar em uma dimensão espiritual.

É preciso, efetivamente, compreender que há, nessa noção profissional, a necessidade de definir seus objetivos.
Agora, a ressonância é extremamente importante e, a partir de certo grau de desenvolvimento de sua Divindade, você se encontra confrontado, eu diria, a uma doença interior em relação ao trabalho que é feito, mas, também, referente a uma relação, qualquer que seja.
Convém parar, refletir e deixar emergir o significado profundo dessa doença: será que é o ego que, por exemplo, quer encontrar outro trabalho mais espiritual para sentir-se mais à vontade ou será que é, realmente, o destino da alma que requer uma mudança em profundidade?
Isso, é preciso, efetivamente, fazer a diferença entre os dois e pedir para isso que os sinais de sincronia, que os sinais espirituais, os sinais ligados aos seres de Luz, à Divindade manifestem-se, para iluminar nossos caminhos.

Mas o ato o mais importante a gerar para si mesmo é, obviamente, a autenticidade e a benevolência em relação a tudo o que faz a vida.

Questão: a que correspondem as descidas de energia nesse momento?

São energias que correspondem ao solstício de verão, o período que é uma semana, alguns dias antes do período do solstício de verão, o que se chama o São João de verão.
Isso corresponde ao máximo energético do Sol.
As energias solares são as energias espirituais, as energias Crísticas, que descem sobre a Terra.
Há, por trás, necessidades de modificar algumas estruturas em vocês, para os seres que são, entre aspas, ligados ou despertos à dimensão espiritual.

Esses reajustes correspondem a um afluxo de energia, mas a energia não é, necessariamente, metabolizada e considerada pelo corpo ou pelas estruturas como algo que vai energizá-lo.
O aumento de energia sobrevém uma vez que o processo de descida esteja encarnado e amortecido, o que pode tomar uma quinzena de dias.

A energia espiritual desce pelo sétimo chacra, diretamente, e irá tomar o canal médio da coluna vertebral, que vocês chamam a shushumna, e vai descer, progressivamente, para reforçar a irradiação energética de cada um dos sete chacras.
Entretanto, os chacras que devem receber esse afluxo de energia giram em forma de hiper-rotação, em especial os chacras do baço e o segundo chacra.
E esses chacras, que giram em excesso relativo de energia, provocam uma consumação e um consumo extremamente importantes de líquidos e de açúcar, o que provoca, efetivamente, súbitos cansaços, de maneira incisiva no dia, a impressão, de repente, de cair de sono, a impressão, de repente, de flutuar um pouco.
Isso é típico das energias que correspondem ao solstício de verão.

A mesma coisa produzir-se-á no solstício de inverno, desta vez, com uma energia mais telúrica, que remonta do Intraterra, mas que vem, entretanto, impactar, extremamente forte, o segundo chacra, o chacra do baço e o primeiro chacra, desta vez, um trabalho que dura uma quinzena de dias.
Convém beber muito mais do que de hábito e consumir açúcares, beber sucos de frutas que são muito pouco carregados em fibras, eu penso, em especial, no suco de uvas e no suco de maçãs, ao invés de suco de laranjas e suco de abacaxis, que aumentam o calor do corpo.
Mas o melhor é, de qualquer forma, beber água pura e, depois, comer açúcar, uma hora depois, ao invés de misturar água e açúcar através dos sucos de frutas.
Trata-se do açúcar, sob a forma, por exemplo, de uvas secas, sob a forma, por exemplo, de açúcares rápidos e não de açúcares lentos.

Questão: o chá de aubepine pode ser útil para integrar essas energias?

O aubepine intervém no chacra do coração, no setor cardíaco, o que não é o caso com essas energias.
Se vocês querem ingerir um chá, as coisas as mais agradáveis são os chás ligados à menta, que refresca o sangue e que limita o consumo de açúcar pelas energias.

Questão: poderia falar-nos da loja negra universal?

A loja negra universal corresponde a certo número de entidades que são o reflexo, o lado negativo da Luz.
É preciso, efetivamente, compreender que a Luz criou-se, exteriorizando-se do nada, mas, criando-se a partir do nada, houve, também, a criação da Luz e da sombra em seu plano de manifestação (não mais nas dimensões superiores nas quais, aí, isso não é possível), nesse plano específico que é a terceira dimensão.
A Luz é oposta à sombra, mas a sombra está, também, na Luz e a Luz está, também, na sombra, é o yin e o yang.
Isso, vocês sabem, vocês vivem e experimentam.

Mas existe, em planos intermediários – ou seja, na quarta dimensão, que é o equivalente, se querem, ao mundo astral inferior – o reflexo do que acontece sobre a Terra, ou seja, a Luz e a sombra, as forças Crísticas, as forças astro-angélicas, as forças manifestadas da ordem de Melquisedeque ou de outras ordens de Luz que podem descer através das estruturas vibratórias até esse nível inferior, para entrar em contato com sua realidade.
Mas existe, também, a contrapartida dessa Luz que é, também, a sombra.

Na gênese de sua dimensão, na Kabbalah, há gênios, há arcanjos, mas há, também, forças invertidas, que são a parte negativa.
Há as forças do Arcanjo Uriel e Gabriel, mas há, também, um demônio que é a sombra disso, ele se chama Asmodée, que é uma realidade em sua dimensão.

A loja negra universal é ligada a entidades que se apresentam como seres de Luz (eles não vão dizer, obviamente, que eles são seres da sombra), mas cujo objetivo e única especificidade não é transmitir ensinamentos (que são falsos, obviamente), mas camuflar essa verdade ensinada através de uma finalidade que não é a Luz, em todo caso, a Luz Solar, mas cuja finalidade é desprendê-los desse plano desse planeta, ou seja, fazê-los perder a noção de sacralidade da vida na terceira dimensão, mas, também, do planeta Terra, para levá-los para o que se chama uma ilusão luciferiana.

Esses Mestres foram chamados Mestres de sabedoria, mas eles nada têm de sábio, porque eles os afastam da dimensão Crística.
Tudo o que os afasta do Cristo, do Sol, da dimensão essencial Terra-Sol (ou seja, raízes no Intraterra, mas, também, raízes celestes no Sol) faz parte, também, do que se chama a loja negra universal.

A diferenciar do que se chamam as forças de involução que, estas, não são luciferianas, mas são plenamente diabólicas e querem fossilizá-los, pô-los e deixá-los na Terra, privando-os da espiritualidade.

Atualmente há, de um lado, as forças Crísticas (são as forças da Luz autêntica) e, do outro lado, as forças da loja negra universal (ligadas, portanto, às energias luciferianas, que fizeram aliança com as forças que querem a fossilização e o abandono da espiritualidade).

É um pouco complexo a compreender, mas essas duas forças são unidas em um mesmo objetivo que é o de privá-los da influência do Cristo, da influência do Sol e isso dá o que vocês veem sobre a Terra, atualmente.
Tudo o que vocês observam no exterior ilustra esse combate, no plano da quarta dimensão, entre a sombra e a Luz, mas, também, seus próprios combates interiores entre suas sombras e sua Luz.

Assim, a loja negra universal é constituída por entidades que foram humanas, mas que cortaram, de maneira voluntária, em determinados momentos de sua história de encarnação, o Antakarana, ou seja, a corda de Luz que as reuniam às suas almas.
Eles se cortaram, voluntariamente, de sua alma, de maneira a não sofrer as consequências de seus atos ao nível cármico.
Eles se cortaram de seu carma, mas, cortando-se de seu carma, eles se cortaram, também, do mundo Solar, do mundo Crístico.
Eles evoluem, portanto, permanentemente, nesses mundos intermediários, que podem, por vezes, tomar um corpo para descer na encarnação, mas sem que este seja religado à alma.
Eles são, portanto, seres que cortaram a comunicação divina e cujo objetivo é o de fazê-los, também, cortar essa comunicação divina, arrastá-los a caminhos que são separados da dimensão Crística.

Quando eu falo do Cristo eu não falo, obviamente, da religião católica, eu falo da essência do Cristo, do amor incondicional, da fraternidade branca universal, da ordem de Melquisedeque, da ordem das águias, da ordem de Órion, que é ligada à Luz autêntica.
Há uma filiação da Luz autêntica, cujo objetivo é o de espiritualizar a matéria.

Então, obviamente, eles não vão servir-se de ensinamentos que são falsos, eles vão falar-lhes de psicologia, eles vão falar-lhes de raios, eles vão falar-lhes de montes de coisas que estão em relação com dados importantes da tradição, como a Kabbalah, como a astrologia etc. etc., mas cuja finalidade é, pouco a pouco e sub-repticiamente, cortá-los, concretamente, dessa dimensão Solar Crística.
Será que está mais claro para você, cara amiga?

Questão: como explicar que alguns canais possam, ao mesmo tempo, veicular mensagens Crísticas ou Oriônicas e da loja negra universal?

A diferença é difícil a fazer, porque se vocês fazem a diferença nas palavras, obviamente, as entidades da loja negra vão, também, falar-lhes do Cristo (elas não vão dizer que o Cristo não existe, bem ao contrário, elas vão pô-lo como um Mestre de sabedoria, por exemplo), mas o importante não são as palavras que são empregadas, não os ensinamentos através de palavras, mas, obviamente, a vibração que se propaga durante a canalização.

Como vocês podem explicar que alguém fale as palavras do Cristo ou da Virgem sem que haja a energia da presença do Cristo ou da Virgem?
Isso é impossível

Vocês sabem, efetivamente, que a presença de tal entidade espiritual, de tal nível vibratório, de tal intensidade vibratória que passe por canalização, ou seja, por incorporação, é algo de silencioso, é algo que emana uma vibração Luz.
Se vocês não sentem essa vibração como um amor, como algo que os preenche (obviamente, quaisquer que sejam as palavras empregadas), isso não é a Luz.

Portanto, não se deve fiar nas palavras e não se deve fiar no que dizem as pessoas.
É preciso fiar-se no que vocês sentem, vibratoriamente, é preciso fiar-se no que lhes diz seu ser interior.
Isso é a coisa, eu diria, essencial.
Caso contrário, como vocês vão fazer a diferença?
Não através das palavras porque, obviamente, as entidades da sombra não vão dizer-lhes que elas são da sombra, elas vão dizer-lhes que elas são da Luz, elas vão exaltar o culto da personalidade, elas vão, através, às vezes, de palavras muito mais rebuscadas, eu diria (mais na new-age, em seu sentido pejorativo, tal como é reconhecido, hoje), transmitir-lhes ensinamentos que falam da Luz angélica, que falam de coisas maravilhosas que devem chegar-lhes, a vocês, esses seres que são tão maravilhosos.
Eles vão, de algum modo, bajular seu ego, bajular sua personalidade interior e não revelar sua alma.
A diferença está nesse nível.

Há, também, graus extremamente importantes, que permitem fazer a diferença: jamais um ser mestrado, que chegou às dimensões superiores, intervirá para modificar seu livre arbítrio.
Ele poderá dar-lhes conselhos.
Ele poderá, se vocês pedirem, efetivamente, agir em seus casulos de Luz e modificar seu caminho terrestre, mas, sempre, respeitando seu livre arbítrio.
Jamais um ser da Luz autêntica virá dizer-lhes para deixar tal pessoa ou fazer seu caminho em tal foco.
Ele poderá apenas guiá-los para pô-los em face de sua própria Luz, de seu próprio caminho interior.

Por vezes, há, também, médiuns que, absolutamente, nada canalizam; isso também acontece.
Quando vocês estão com um ser da Luz autêntica, ele os preenche de energia.
Quando vocês voltam, vocês se sentem com o coração leve, vocês são inflados da energia espiritual que lhes foi efusionada.
Em contrapartida, quando vocês têm que fazer com entidades ligadas à loja negra, o que vai acontecer?
Primeiro, elas vão transformar a Luz em sombra e, portanto, vão retirar a energia que é a sua, vocês vão sentir-se, efetivamente, fatigados, vocês vão sentir-se mal-humorados, sem saber por quê.
Não é a noção de dor, porque um ser de Luz pode desencadear uma dor no coração, porque ele força a irradiação do coração, porque ele força a irradiação dos chacras, por pela vibração dele, sem querer, portanto, isso pode provocar, em alguém que não está preparado, certa dor.
Portanto, não é a dor que vai diferenciar a sombra e a Luz: é, sobretudo, a leveza de coração e o sentimento profundo no qual vocês serão tomados por uma canalização real de uma entidade da sombra ou de uma entidade da Luz.
Isso é extremamente importante.

Questão: há uma ligação com o fato de que um canal pareça ter um olhar «vazio»?

Mas o olhar e o olho são o reflexo da alma.
Em todas as tradições, um olho apagado, uma irradiação apagada vê-se, primeiro, ao nível físico, ao nível da cor da pele, não há mais fogo, há apenas a terra, há apenas a água.
Não há mais leveza, não há mais fogo e, portanto, o olhar é como que vazio, isso é uma característica essencial.
Há um lado pleno ou um lado vazio, isso é extremamente importante, porque um canal, mesmo se ele é extremamente, eu diria, desconectado pela intensidade da vibração que ele viveu, progressivamente, ele se preenche de amor, ele se preenche de autenticidade, ele se preenche de clareza, e isso se vê nos olhos, na pele, em todos os níveis.
Se não é o caso, efetivamente, é algo que é do domínio da posse e não mais da canalização.

Questão: poderia falar-nos de constelações familiares?

Quando há energia de grupo, para que é voltada a energia do grupo?
Se a energia do grupo é voltada para a individualidade pessoal e não a individualidade da alma, cuidado com questões de sofrimentos do passado, de sofrimentos do presente.
A manifestação desses sofrimentos, bem, isso pertence à sombra.

Lembrem-se do que dizia Jesus: «quando vocês forem três, reunidos em meu nome, eu estarei entre vocês».
Por quê, quando vocês estão em um grupo, haveria necessidade de trabalhar em uma emoção, em um sofrimento do passado, em algo que faz mal?
Não.

Trabalhem na Luz e a Luz virá.
Toda a diferença entre a sombra e a Luz está nesse nível, e aí está porque eu sempre recusei, em minhas intervenções, salvo caso excepcional como esta noite, intervir em questionamentos pessoais.
Porque não é questão de exprimir o temor, é questão de exaltar, em vocês, a realidade da Luz Crística de seu ser interior, de sua Divindade.
Se se deixa os seres humanos exprimir seus sofrimentos, o que aconteceria?
A emoção seria gerada em todo o grupo, e isso provocaria um desperdício de energia espiritual.

A emoção nutre-se de emoção, ela não se nutre de Divindade.
A Divindade nutre-se de Divindade, a Luz nutre-se de Luz e não de sombra.
Por que fazer sair a sombra?
«Busquem o reino dos céus e o resto ser-lhes-á dado em acréscimo» dizia Jesus, e é completamente verdadeiro e, ainda mais verdadeiro, a partir do momento em que há grupo, em todos os trabalhos que se pode imaginar ser assim chamadas ferramentas de liberação que se fazem em grupos, nos quais cada um vai exprimir seu sofrimento, mesmo se há resultados que possam parecer, às vezes, surpreendentes.

Há seres que fizeram esses trabalhos de maneira autêntica, eu penso, por exemplo, em uma grande dama que está morta, agora, e que eu vejo, frequentemente, porque ela é do mesmo plano vibratório que eu, que trabalhou no acompanhamento de pessoas em fase terminal, que era essa querida alma que se chamava Elisabeth KÜBLER ROSS.
Essa dama fez um trabalho no qual ela fazia exprimir as emoções às pessoas, mas era em circunstâncias específicas ligadas à morte, ou a morte desses seres que participavam do seminário, ou de seres que haviam sido tocados pela morte de um próximo, quando, aí, era preciso sair desse sofrimento ligado à morte, que não é um sofrimento, mas o medo, a separação, o abandono ligado a tudo isso.
Mas o quadro é diferente.
Ali, era específico para a emoção ligada à morte, de si ou de alguém de muito próximo.

Em contrapartida, as outras emoções que vocês geram através de todas as terapias new-age, são terapias que vão fazer subir as emoções de seu passado e, além disso, vocês vão fazê-las subir, veiculá-las, exprimi-las no grupo e transferi-las aos outros.
Onde está a Luz aí?
Não há Luz, há apenas a sombra.

Aí está a diferença essencial: um trabalho de grupo deve ser voltado, unicamente, para a Luz, e não na manifestação de sofrimentos, porque é tempo perdido (mesmo se não é da sombra) e o tempo perdido pertence à sombra.

Questão: como fazer, à parte coisas em tudo o que é proposto para ajudar, justamente, a superar os sofrimentos, uma vez que há muitas ferramentas propostas e pessoas autênticas, também, na vontade de superar esse sofrimento.

Perfeitamente, mas vocês não poderão resolver um sofrimento ao nível em que ele está situado.
Infelizmente, é assim.
Vocês não poderão resolver o câncer ao nível em que ele está situado, ou seja, ao nível da matéria.
Vocês não poderão resolver um sofrimento ligado ao abandono pelo pai ou à violência do pai trabalhando no pai.
Vocês não poderão resolver qualquer sofrimento assim.

Vocês terão a ilusão da resolução do sofrimento, e inúmeras pessoas atuam nisso.
Faz, agora, mais de um século que vocês estão no erro psicológico; faz, agora, um século que vocês erram, de terapia em terapia, de vida em vida, através de técnicas de aproximações psicológicas que são uma heresia.

Por quê, em minha vida, eu falei apenas da espiritualidade em relação à psicologia?
Porque a solução para todos os males da encarnação situa-se ao nível espiritual.
Não há solução nem em uma agulha de acupuntura, nem em um blá-blá em relação a um sofrimento passado.
É preciso, no sofrimento, colocar o bálsamo do amor, o bálsamo da reunificação.
Qualquer outra coisa é um trabalho de perda de tempo.

Mesmo se vocês tenham a impressão de liberar algo, vocês não liberam, vocês cristalizam, ainda mais, os sofrimentos.
E disso, inúmeros cientistas, hoje, aperceberam-se, ao nível do cérebro, ao nível da compreensão de mecanismos sutis, entretanto, reais, da vida.

Isso é muito importante a compreender: vocês não conseguirão, jamais, fazer desaparecer algo que vocês tenham vivido; o único modo de fazer desaparecer, totalmente, todos os sofrimentos, é perceber a mestria de autenticidade, a unidade da Divindade que vocês são.
É a única solução, não há outras.
Estejam certos disso.

Vocês podem passar vidas e vidas, como o faziam alguns monges tibetanos, a tentar purificar o carma.
Eles passavam uma vida a purificar um carma que eles haviam feito há quarenta vidas, cinquenta vidas e, no entanto, será que eles estavam realizados?
Certamente não porque, à força de querer purificar-se, eles se esqueciam da Luz.

O trabalho não é um trabalho de purificação em seu passado, o trabalho é um trabalho de autenticidade, no instante presente, em relação à Fonte da Luz que vocês são.
Não é, de modo algum, a mesma coisa.
Então, efetivamente, enquanto vocês não tiverem essa lucidez, essa consciência disso, bem, vocês continuarão a errar de terapia em terapia, de técnica em técnica sem, contudo, avançar um milímetro, porque vocês darão ainda mais tomada ao passado, às coisas cristalizadas, porque vocês portam sua consciência sobre a sombra e não sobre a Luz.

Vocês não têm que trabalhar nas cicatrizes do passado, vocês têm que trabalhar na Luz.
Compreendam, efetivamente, que, mesmo se seja louvável querer explicar um sofrimento – e todo ser humano tem necessidade disso – na finalidade, quanto mais vocês subirem ao nível de consciência da Luz, mais o que vocês se tornarão irradiará a Luz e, naquele momento, não haverá mais necessidade de compreensão do passado, qualquer que seja.

Então, inclinar-se sobre o passado dessa vida, sobre o passado de vidas passadas é algo que vai contra a Luz.
Isso é preciso, efetivamente, compreender.
É um fato sedutor saber que se foi isso, que se foi aquilo, mas vocês devem esperar que essa memória volte a tornar-se, eu diria, espontânea, em função de sua evolução espiritual, mas não ir procurar despertá-la, artificialmente, ou para poder explicar um sofrimento do presente em relação a uma explicação do passado, que existe.
Eu não digo que ela não existe, eu digo, simplesmente, que a solução está na Luz.

Então, efetivamente, há seres que não estão prontos a serem confrontados à própria Luz interior e que têm necessidade de passar por períodos de análises, de compreensões do passado, mas isso, saibam, a certo grau de evolução, é antiespiritual.

Questão: como se podem partilhar esses ensinamentos?

É, efetivamente, o problema, é que você não pode fazê-lo partilhar enquanto o ser não está engajado no caminho e tenha chegado à porta desse estado vibratório.
Porque o mental mente-lhes, permanentemente, o mental tenta, a cada vez, prendê-los a explicações lógicas do que vocês foram no passado, tenta, a cada vez, levá-los a caminhos ligados ao passado e referenciar seu ser vivo, tal como vocês são hoje, em relação a algo que vem do passado.
Sempre, vocês definem o presente pelo passado ou pelo futuro, também, para aqueles que se conectam no futuro.
Mas a vida define-se, unicamente, pelo instante presente.
A Divindade está no instante, ou seja, fora do tempo.
E vocês vão procurar as referências no passado, no futuro, e vocês balançam de um ao outro e creem encontrar a Divindade, mas é impossível.
A Divindade encontra-se apenas no momento presente.
Se vocês conseguissem parar a linearidade do tempo, ainda que apenas um bilionésimo de segundo, vocês seriam, instantaneamente, transformados em Luz, vocês não teriam, mesmo, mais corpo.

Questão: você pode falar-nos do xamanismo e de um de seus ramos, que é chamado o caminho dos guerreiros?

Essa abordagem é, certamente, aquela que mais se aproximou, eu diria, da Divindade no estado bruto, ou seja, que abordou, sem rodeios e sem desvios, a tradição primordial, para além, mesmo, de referenciais da tradição como a Kabala, mas que foram, diretamente, ao coração e à própria essência da consciência.
Mas é um caminho extremamente rude, que necessita de um despojamento total e poucos seres realizaram esses caminhos em sua totalidade.

Questão: o que é dos outros ramos do xamanismo?

Há xamanismos de inspiração astral e há xamanismos ligados às manipulações de forças elementares da natureza.
Há xamanismos que são ligados a outras manifestações.
Eu repito, são movimentos que, para a maior parte (exceto o caminho do guerreiro, ligado à tradição tolteca, que muito específico), não está em relação com a vida Ocidental, que se encaixa mal com uma configuração cerebral e energética, eu diria, Ocidental.
Entretanto, por que não?

Inúmeros seres podem ser atraídos por esse caminho.
Eu repito, é, certamente, eu diria, menos perigoso, talvez mais direto, do que as terapias que nascem atualmente, no Ocidente.

Eu lhes agradeço, a todos.
Se quiserem, poderíamos, talvez, parar agora, para deixar lugar ao reino da Mamãe.
Eu, de momento, aporto-lhes minha bênção e digo-lhes até muito em breve, e eu lhes agradeço por essa troca.
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